Algumas vezes eu já mencionei a diferença entre Monalisa e eu, uma menina e outra mulher, não necessariamente nesta mesma ordem. O que fica claro é que Monalisa não tem medo de se expor, gritar, sofrer, correr, brincar, beber e tantas outras maluquices. O que nos difere é a coragem de assumir sua fragilidade e a façanha de demonstrar melancolia. Apesar de seu sorriso misterioso, seu olhar faceiro e sua forma de sentir, que não correspondem a imagem que eu passo, continuamos a ser a mesma pessoa. Ela sou eu internamente, uma criatura mortal com defeitos e qualidades, no entanto, não aparenta existir no mundo externo. E é exatamente isso que confunde minha cabeça agora, ela vive em mim, não o contrário. Não sei o motivo mas eu a deixo me dominar em muitas partes da semana, as vezes até insisto em só pensar como ela, constantemente me vejo separando as idéias e a hora de ser uma ou outra. Impossível de admitir essa situação; assim estou me sentindo presa, dominada, controlada, inclusive exasperada. Da última vez justifiquei aquele choro pela personalidade dela, não minha e sabiamente meu acompanhante disse – não há como separá-las, pare de arrumar desculpas. Isso me chamou à atenção, me despertou. Devo informar que, sim temos algo em comum, a determinação. O que nos move e nos dá sentido para continuar tudo o que nos rodeia e por vezes nos cansa.
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