Ps: Sinceramente eu não estou com vontade de escrever, mas não posso deixar passar as últimas surpresas e até as considero a maior do ano.
Era um conto pueril, amizade eterna e bem fraternal. Aqueles oito anos de diferença não transpareciam em nada nas nossas conversas, segredos, inclusive na nossa cumplicidade. Parecia paixão de criança, daquelas sem cabimento e por isso não fazia sentido, ninguém acreditava em mim ou nas minhas intenções. Pela minha pouca idade fui obrigada a vê-lo com outras e guardar meu sentimento bem no íntimo, embora eu não conseguisse esconder. Ele sabia que a menininha que sempre ia estar ao seu lado seria eu, acontecesse o que acontecesse, jamais o deixaria – virou até jura. Não sei explicar, mas sua atitude desde a primeira impressão que teve quando descobriu meu amor foi de esconder para ele mesmo, fingiu por muito anos que não sabia – detalhe não me dava esperanças, porém nunca me deixou perceber que não me queria como mulher – deve ser porque eu ainda não era. Enfim, essa trajetória é longa, envolve muita gente e têm dois protagonistas, o menino dos olhos de gato, em nossa época o mais cobiçado da cidade e eu, a companheira de momentos e a primeira na sua lista de considerados – pelo menos era o que ele me dizia. Era o meu príncipe, o homem que eu chamava de meu, aquele que dançaria a valsa comigo na minha formatura, acreditava que entre nós era questão de tempo, achava que ele só estava esperando que eu crescesse – me enganei quase que completamente. Não era por idade que ele não estava comigo. Acredito em acidentes do destino e não gostaria que tivesse acontecido comigo, mas aconteceu. Quando atingi meus dezoito anos, me preparei para o grande dia, sabia que ele ia chegar só que não chegou. Eu que marquei aquele território durante anos para explorá-lo no dia certo, vem uma expertinha e fura a fila. Ele tolo vai em frente e me deixa, dessa vez sem esperanças. Acho que ele nunca acreditou que daríamos certo, nem eu. Emplacou um casamento e filha – sumiu da minha vida.
Agora ele volta, reaparece das cinzas, gritando saudades, enfeitando elogios, chamando a atenção, lembrando o passado, contando nossos feitos, tentando me conquistar. Agora José? Depois de tudo, usado e reusado, embrulhado e com o kit completo – foi agora que você percebeu que quem você sempre quis fui eu? Porque me cobra amor ainda? Com que direito você tem de exigir? Só porque eu estive a vida inteira te esperando não quer dizer que continuo a disposição. Me desculpe mas parece que eu sou a reserva principal, quando acontece algo errado eu estou lá para consertar. Será carência? O seu problema é a auto-confiança, te peço cuidado, você percebeu que a menininha cresceu, virou mulher.
O pior disso tudo é que finalmente aconteceu o que tanto esperei – José assume que me quer, no entanto, eu não senti nem a metade do que eu ou ele esperávamos. Foi uma conversa para ele e segundo ele mágica – aquela coisa de não desapareça da minha vida, eu te ligo de qualquer lugar, eu vou ai te vê, eu vou acalentar seu sono, vou te fazer feliz. Ah não! O conto de fadas falhou, o grande defeito de virar adulta é que não se acredita mais em Papai Noel ou Coelhinho da Páscoa apenas convivemos com a memória deles por conveniência. Nossa trajetória ainda não acabou, eu vou finalizá-la – não se preocupe – quando eu tiver você em meus braços agora vou segurá-lo mesmo que continue não sentindo nada. É questão de acerto de contas com a minha infância e meus doces devaneios.
kkk Muito bom Monalisa, cada vez gosto mais do que e como escreve isso ai tem mostrar a volta que um sempre tem pra dar.
ResponderExcluirkkkkkkkkkkkkk
ResponderExcluirmeu amor minha flor minha menina.
e minha filha.
cada vez mais monalisa